O Marketing Digital Não Existe

Por Jayme Kopke

A frase acima quase custou ao Jayme Kopke o lugar na universidade onde dava aulas. Mas ele estava a falar a sério, e ainda está. Mesmo fazendo muito “marketing digital” para os nossos clientes, aqui na Hamlet continuamos a acreditar que ele não existe. Descubra porquê.

 

Há um tempo, dando aulas num mestrado de marketing digital, fiz uma declaração que me causou alguns problemas.

Logo na primeira aula, ao me apresentar, declarei que, embora estivesse a dar aquele curso, não era bem um especialista em marketing digital.

Foi quanto bastou para uma aluna ir reclamar ao coordenador: como era possível ter um professor que nem sequer era especialista na matéria?

Acontece que ela só prestou atenção a metade do que eu tinha dito. A frase completa era: “não sou especialista em marketing digital, porque o marketing digital não existe”.

Mas quantos marketings há, afinal?

Marketing é uma palavra a que é fácil colar muitos adjetivos – e cada um cria uma nova moda. Há o email marketing, o event marketing, o experience marketing, o content marketing… Até do marketing aromático já ouvimos falar.

Tudo isto supõe que cada uma destas coisas é um marketing à parte. Com princípios e métodos fundamentalmente diferentes.

O marketing digital, nesta linha, seria diferente do não digital. Significa que não teria nada a ver, por exemplo, com o “marketing radiofónico”, o “marketing televisivo”, ou o “marketing de folhetos” – se alguém se tivesse lembrado de inventar mais esses termos.

Ninguém se lembrou, e ainda bem. Porque fazem tão pouco sentido como o tal “marketing digital”.

Marketing é marketing. Significa adequar a promoção de um produto e serviço aos desejos, atitudes e comportamentos dos potenciais clientes. A forma como consomem ou participam da comunicação – seja por via digital, vendo televisão ou indo a festivais de música – é só mais um desses comportamentos.

Há, certamente, técnicas e táticas de marketing que são específicas para cada canal. Da mesma forma que há truques para anunciar na imprensa ou na televisão, também há muito conhecimento técnico a dominar para fazer uma campanha nas redes sociais ou para montar um site. Mas, se não se fala em “TV marketing” ou “print marketing”, porque é que no digital seria diferente?

Nos canais digitais as pessoas continuam a ser pessoas, sujeitas às velhíssimas leis da natureza humana. Continuam, por exemplo, a gostar de ter coisas e de as comprar. Mas também a resistir, como sempre resistiram, aos nossos velhos truques de vendedores e marqueteiros.

Todos diferentes. Todos iguais?

Há, é verdade, características comuns a todo o espaço digital. A rapidez. A quantidade de informação infinitamente maior do que no offline. A reduzidíssima atenção do utilizador. Ou o facto de ser um espaço colaborativo, com interações instantâneas e efeitos de rede.

Mas, na contramão desses pontos comuns, as diferenças entre um canal digital e outro também são imensas. O que é preciso para criar uma app, comunicar no Facebook ou manter um blog de sucesso são arsenais de técnicas totalmente distintos – cada um deles mais do que suficiente para entreter especialistas a tempo inteiro.

Além disso, a quantidade de canais e ferramentas digitais é tão grande que não dá para imaginar um “especialista em marketing digital” que domine todas. Pode, claro (e isto faz toda a diferença), dominar os princípios básicos – só que esses já não serão exclusivos do digital: serão comuns ao marketing direto, por exemplo, ou ao marketing em geral.

Mas a principal razão pela qual falar em “marketing digital”, se algum dia fez sentido, hoje faz cada vez menos, é que hoje não há marketing que não passe pelo digital. Como poderia haver, se hoje o digital impacta tudo? A forma como produzimos, compramos, vendemos, convivemos ou nos divertimos… Olhe à sua volta: encontra alguma atividade em que uma componente digital não esteja presente, de alguma forma, em algum momento?

Ser especialista em marketing digital é como ser especialista em nadar na água. Agradecemos a precisão, mas há algum outro sítio onde possamos nadar?

A consequência para o seu marketing? Continue a usar os canais digitais e a aprender como torná-los, cada vez mais, um motor para o seu negócio. Mas, sobretudo, não perca de vista que marketing é marketing: os seus princípios são os mesmos no meio digital, no não digital e na combinação (altamente recomendável) dos dois.

O marketing digital é como as bruxas

Dito isto, eu sei que combater um termo já tão corrente é tolice: “marketing digital” continuará a ser usado, mesmo que não faça muito sentido. Logo, se não pode vencê-los…

Rendo-me, por isso, à objeção da minha aluna de mestrado. Combinamos assim: os especialistas em marketing digital são como as bruxas. Não acreditamos neles, mas lá que existem, existem.

E vou mais longe. Se precisar de um deles – ou, pelo menos, se precisar de alguém que compreende como gerar resultados de marketing num mundo cada vez mais digital – até lhe digo onde os pode encontrar. É mesmo aqui na Hamlet. Ligue e marque uma reunião connosco.

Jayme Kopke

CATEGORIAS:
Comunicação de marketing, content marketing, e-mail marketing, Internet, marketing de conteúdos, Marketing Digital, Marketing directo, Marketing mobile, O mundo online, Publicidade, Redes sociais