Quem manda no seu negócio? A minha figueirinha responde

Muito do stress e ansiedade que experimentamos na nossa vida profissional, e não só, vem de uma ideia equivocada sobre quem de facto manda – ou sobre o grau de controlo que temos sobre os resultados do que fazemos.

Pode ser esquisito andar a falar com plantas, mas esta conversa com a figueira que tenho cá em casa deu-me umas luzes sobre este assunto.

Com esta onda de calor, as plantas cá de casa andam sedentas. O ritual de regá-las ficou mais frequente.

Regar as plantas é um trabalho: uma ação que tenho de fazer se quero um resultado. Neste caso, que se mantenham vivas, cresçam e tornem acolhedor o meu microjardim.

Sobre este resultado, no entanto, eu tenho muito pouco controle.

Será que a pitangueira que a minha amiga me deu vai vingar? A pequenina figueira, presente de outro amigo, que por meses pareceu não gostar muito de Campo de Ourique, agora está cheia de novos brotos.

Regar as plantas é a minha tarefa, mas não controlo o resultado porque o tra­balho maior não é meu.

Quem tem que fazer pela vida com a terra e a água que lhes dou são as próprias plantas. E se crescem para a direita ou para a esquerda, se as folhas nascem lá na ponta ou junto ao chão, quem determina são elas. O meu trabalho é só deixá-las fazer o seu.

Com as plantas é assim – mas, agora que penso nisso, com boa parte das outras coisas não é muito diferen­te.

Desconfio mesmo que muita da ansiedade que ligamos ao trabalho vem da ideia de que controlamos os seus resultados. Só que essa ideia é uma ilusão.

Não me entenda mal. Se você tem um negócio, faz bem em lhe dar um chão para crescer, em semear esse chão com as suas ideias, em regá-lo com o seu suor e saber. A partir daí, no entanto, tanta coisa está fora da sua alçada.

Como o mercado vai responder? Quanto se vão empenhar, e com que brilho, os imprevisíveis humanos que vão formar a sua equipa? Os ventos, bons ou maus, trarão chuva ou incêndios?

Mesmo que o canteiro seja mínimo (como o vaso onde cresce a minha figueira) o controlo não é muito maior.

Quan­do peço ao meu cérebro que resolva um problema – um tema para o próximo artigo, uma estratégia de negócio, uma campanha para um cliente – o verbo é mesmo pedir, nunca comandar.

Planto lá dentro o desafio, rego-o pensando muito no assun­to, mas a resposta vem quando vem. Muitas vezes quando já não estou à espera: quando pensava que, como a figueirinha, aquela tentativa não ia vingar.

E há casos em que não vinga mesmo. O negócio fracassa, a ideia não aparece, as férias tão bem planeadas desaguam numa quinzena de chuva e frustrações.

Nessas alturas, é um conforto lembrar que a culpa não é sua. Fez o seu trabalho, não fez?

Assim como, quan­do tudo dá certo, o mérito só parcialmente é seu.

Erga as mãos para os céus, como diz a canção, e agradeça. O mercado, a sua equipa, a conjuntura económica e o seu próprio corpo, cérebro incluído, semeados pela sua inicia­tiva, regados pelos seus esforços, foram amigos.

Fizeram o trabalho por si.

Jayme Kopke

Categorias:
cultura, empreendedorismo, gestão, pessoas, PME, vida empresarial
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