Como motivar colaboradores (mesmo em tempos difíceis)

Quer mais vendas empresariais?Há quem diga que as conjunturas económicas difíceis (como aquela em que estamos mergulhados há anos) são uma oportunidade.

Pode ser. Mas, em primeiro lugar, o que elas são é uma grande chatice.

Até não seria tão grave se ao menos você tivesse a certeza de contar com uma equipa cheia de motivação para dar a volta à coisa.

O problema é que, com a economia lá em baixo, a motivação dos seus colaboradores também não tende a andar nas alturas. Com tanta notícia ruim à volta, não é fácil resistir ao desânimo, à desconfiança, ao deixar andar.

Em tempos assim não há milagres. Mas há recursos que podem ajudar – e a comunicação é um deles.

A pensar nisso, reuni algumas sugestões para realmente transformar as vacas magras numa oportunidade para a sua comunicação interna. São 10 sugestões para manter o moral da sua equipa mesmo nestes tempos complicados.

1. A comunicação não faz milagres. Defina o que ela pode fazer.

Contar com canais regulares para as mensagens internas – como a revista A Magazine, desenvolvida pela Hamlet para a ANA Aeroportos de Portugal – é um primeiro passo para que a comunicação possa desempenhar o seu papel na coesão da empresa.

A comunicação, sozinha, não é capaz de motivar. Assim como a publicidade não vende se não houver um bom produto, a comunicação com os colaboradores só funciona se refletir qualidades reais da relação que a empresa tem com eles. Se essa relação não for leal; se a empresa não for um lugar bom para trabalhar; se nas alturas difíceis não levar em conta as pessoas, nenhuma comunicação conseguirá disfarçar isso – ou, pelo menos, não por muito tempo.


2. Decida o que há para comunicar…

A boa notícia é que, em muitíssimos casos, as empresas são melhores do que a sua comunicação. Como comunicam pouco, tiram pouco partido das suas qualidades, das suas boas práticas, daquilo que até já fazem pelos seus colaboradores – e que estes acabam por não valorizar.

Se o ponto de partida é a relação que já existe – ou a que você quer que exista – entre a empresa e o colaborador, o que houver nela de motivador deve ser comunicado. O que não for tão bom deve ser melhorado até onde for possível ou de alguma forma compensado. Só depois de identificar claramente os pontos fortes e fracos é que você deve acionar a comunicação.

Embora este artigo diga respeito apenas à comunicação, e não à relação total entre o colaborador e a empresa, não resisto a indicar o vídeo acima, em que a ferramenta “standard” para motivar colaboradores – incentivos financeiros – é posta em causa. O que de facto conta, sustenta o autor, é criar um ambiente que favoreça a autonomia, o auto-desenvolvimento e a percepção de que o trabalho a realizar tem um sentido.

Ter uma razão “científica” para cortar nos prémios pode parecer um alívio nestes tempos de aperto. Mas, na verdade, a alternativa apresentada é um desafio muito mais exigente do que incluir uma cenoura monetária no acordo laboral.

Por outro lado, havendo vontade de construir um ambiente empresarial desse tipo, a comunicação ajuda muito. Principalmente para criar o tal sentimento de que o trabalho tem um propósito, um objetivo maior do que cumprir o horário e levar para casa o suado – e insosso – pão de cada dia.

3. …e, então, comunique.

A comunicação não é só um reflexo da relação entre a empresa e o colaborador: é um dos seus ingredientes básicos. Uma empresa ótima para trabalhar em quase tudo mas que comunique pouco ou mal com os colaboradores já não é tão ótima assim.

A Novabase sabe que a raiz de uma empresa forte está numa cultura interna forte. Esta ideia está presente na ação de comunicação interna que a empresa pediu à Hamlet para desenvolver. Veja mais aqui.

Faltando comunicação, a coesão interna diminui. Pequenos problemas são amplificados nos corredores. Problemas maiores, quando aparecem (e nestes tempos é natural que apareçam), transformam-se em bichos-de-sete-cabeças, com sete bocas-cheias-de-dentes para devorar o moral da empresa.

Mais vale não esperar que estas situações apareçam. Havendo ou não tempestades à vista, a forma de se preparar para elas é pensar na comunicação interna como uma prioridade estratégica. Algo a fazer de forma sistemática, planeada, coordenada e permanente.

4. Crie os canais

Um bom começo é ter canais por onde a comunicação possa fluir sempre. Uma newsletter regular, uma intranet bem alimentada de conteúdo, pequenos encontros periódicos em que pessoas que não interagem todos os dias se possam conhecer e sentir que fazem parte da mesma equipa – as ferramentas para comunicar não faltam. Comece por alguma delas e depois vá juntando outras. Simples assim.

5. Veja a comunicação interna com óculos 3D

Convém nunca perder de vista que a comunicação interna tem três dimensões.

Uma é a informativa: trabalhadores que sabem o que se passa, que se sentem a par do que acontece na empresa também se sentirão naturalmente envolvidos. Mesmo quando o que há para saber não são boas notícias.

A segunda dimensão é a da motivação propriamente dita. A tarefa, aqui, é ajudar os colaboradores a saber o que se espera deles, e encorajá-los nessa direcção.

A comunicação do programa de gestão do talento da Novabase, desenvolvida pela Hamlet,  clarifica o que se espera dos colaboradores e o que podem esperar em troca. E ainda reafirma os valores e a cultura da empresa.

E a terceira é institucional. Cabe-lhe lembrar permanentemente o que é a empresa, quais são os seus valores, a sua história, a sua visão de futuro. De onde viemos, para onde vamos, e por quê. São coisas que, se forem verdadeiras, não apenas sobrevivem às crises como ajudam toda a empresa a também sobreviver.

6. Comunique com duplo sentido

Quando falamos de comunicação interna, é fácil pensarmos só num dos seus sentidos: o que vai da empresa para o colaborador. Mas o sentido inverso não é menos importante.

Quanto mais a empresa souber ouvir os seus colaboradores, mais capaz será de usar a comunicação para manter um bom ambiente interno. Os receios, desconfianças e rumores serão detectados a tempo. E será mais fácil responder da maneira certa. Qualquer que seja essa resposta, o simples facto de todos saberem que a empresa se preocupa já ajuda a diminuir essas correntes de negatividade que são inevitáveis em tempos de crise.

Ouvir os colaboradores implica proporcionar-lhes canais onde se possam expressar. Canais que, dependendo da dimensão e da cultura da empresa, podem ser tão formais como inquéritos internos ou tão informais como ter a porta do gabinete aberta. Implica também lembrar sempre aos colaboradores que os seus pontos de vista serão não apenas ouvidos com respeito, mas tidos em conta.

7. Más notícias? Tudo bem, já pode sair de trás dessa cortina.

Em tempos de incerteza, “no news” não é sinónimo de “good news”. Pelo contrário: quando todos pressentem que há algo ruim em curso, o silêncio da empresa acrescenta aos males reais os imaginários, que depois são amplificados pelos rumores e apimentados de desconfiança e de ressentimento.

Se há más notícias a dar, respire fundo e fale claro. Os seus colaboradores podem não agradecer as novidades. Mas reconhecerão a franqueza, a lealdade e o facto de serem tratados como adultos.

8. Boas notícias? Saia na mesma de trás da cortina.

As crises já são más que chegue por si mesmas. Não é preciso aumentá-las com derrotismo ou depressão.

O Apocalipse tem sido muito prometido mas também bastante adiado, portanto não há remédio senão seguir em frente. E para isso continua a ser preciso otimismo, confiança, entusiasmo, todos esses motores cujo combustível são as coisas boas que, quando trabalhamos por elas, acabam sempre por acontecer.

Há um mês tivemos que cortar salários e doeu. Mas hoje, vejam só: ganhámos um cliente? Altura de abrir o champanhe outra vez. Ou então não ganhámos nenhum cliente, mas a Eulália da recepção foi outra vez campeã no karaté? Crie uma página no Facebook e ponha toda a empresa a torcer por ela. Se a sua equipa não sentir, nos bons momentos, que está no mesmo barco consigo, nos maus é que não vai mesmo querer estar.

9. Tenha tato

Sejam boas ou más as notícias a dar, sensibilidade nunca é demais. Não fazer a festa de Natal porque os tempos são difíceis não os torna mais fáceis. Ao contrário: como foi dito acima, é sempre bom lembrar que a vida continua e o amanhã não foi abolido. Por outro lado, esbanjar na decoração, nas prendas ou na comunicação numa altura em que toda a gente está a temer pelo futuro – pelo seu poder de compra, pela educação dos filhos, pela hipoteca, pelo emprego – pode facilmente passar a mensagem errada: a de que a empresa não tem sensibilidade, não se preocupa, e que afinal não estamos todos no mesmo barco.

10. Fale com a HamletComunicação Interna

Uma boa comunicação interna começa com alguma comunicação externa: um email ou um telefonema para a Hamlet. Temos ajudado clientes como a ANA, a Novabase, a CP Carga, a Makro ou a Prosegur a criar campanhas ou newsletters internas, reformular intranets, produzir conteúdos e suportes editoriais. Tudo para manter os seus colaboradores informados, envolvidos e motivados – mesmo em tempos de crise.

P.S: Se este tema lhe interessa, não perca a oportunidade de participar no curso que a Academia APAN está a organizar: “Motivar e gerar resultados através da Comunicação Interna“. Vai poder aprender a pensar de forma estruturada a comunicação com os colaboradores, formulando e implementando estratégias de comunicação interna que gerem motivação e resultados.

Jayme Kopke

 

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