E se a web não tivesse vencido?
Hoje, é quase impossível conceber o mundo sem a web. Mas, em 1994, a revolução que ela originou esteve muito perto de não acontecer. How the Web Won conta a história – na voz de um dos seus protagonistas.
Ken McCarthy foi um dos protagonistas de um momento-chave da história da web: o ano de 1994, em que todas as peças se juntaram para que ela se transformasse no que é até hoje.
How the Web Won é o livro em que ele conta essa história, e no qual reivindica para si próprio uma contribuição decisiva: nada menos do que a proposta do modelo de negócio que tornou a rede economicamente viável. O que até ali parecia uma interface interessante – mas restrita a uns quantos geeks – pôde finalmente tornar-se o veículo por onde passaria, não muito depois, praticamente toda a economia do mundo.
O que permitiu a Ken McCarthy fazer essa contribuição não foi um domínio excepcional da tecnologia – que ele confessa não ter – mas o de uma outra ferramenta. Anos antes, para promover os seus serviços de copywriter, Ken descobrira o marketing direto. E percebeu, antes de toda a gente, que aquela nova plataforma de comunicação era o veículo com que os praticantes do marketing e da venda direta tinham sonhado desde sempre.
Essa visão, e a persistência com que procurou reunir quem tinha as outras peças do puzzle (a tecnologia, os conteúdos, o ouvido dos anunciantes), foram cruciais no arranque da web como a conhecemos hoje.
É um livro interessante por muitas razões. Mostra, por exemplo, o quão perto a revolução originada pela web esteve de não acontecer. O quanto dependeu de encontros fortuitos e de convergências que nada tinham de óbvio.
Outro ponto a favor da leitura é que, além de visionário, Ken McCarthy é um grande contador de histórias. Esta, em particular, é uma leitura divertida, cheia de personagens coloridos e de observações interessantes. A mim, pelo menos, prendeu até ao fim.
