Publicidade entre empresas

Revista Prémio – 13-04-2007 –

A Hamlet quer dar à comunicação entre empresas o mesmo brilho da publicidade dirigida às massas.

Carina Correia

Dois veteranos do sector da publicidade juntaram-se para criar um novo conceito neste sector. Eduardo Storino e Jayme Kopke são brasileiros, mas estão em Portugal há praticamente 20 anos. Conhecem o mercado a fundo, desde as características dos anunciantes aos meios e às agências. Há cerca de um ano detectaram uma oportunidade de negócio e começaram a desenvolver o projecto Hamlet.

Tudo começou com um diagnóstico: «O mercado está fixado na comunicação business-to-consumer. Falta a comunicação business-to-business», constata Eduardo Storino. E esclarece: «A comunicação entre empresas é tipicamente muito fria, muito quadrada. É o pensamento mais secundário do empresário depois de definir orçamentos para anúncios».

Porém, como sublinha Jayme Kopke, a comunicação com parceiros, fornecedores ou empresas clientes não pode ser um subproduto, «tem de ser feita com o mesmo profissionalismo e não ser apenas uma sombra do brilho que caracteriza a comunicação dirigida aos consumidores».

O tal «brilho criativo» é aquilo que Eduardo e Jayme propõem vender, utilizando a sua experiência e «a mesma solidez estratégica» que já aplicaram ao planeamento de campanhas publicitárias». Uma missão que poderá até ser mais facilitada pelo tipo de público que se pretende atingir.

«O mercado de massas é mais heterogéneo, enquanto que os decisores empresariais são um grupo mais homogéneo, com interesses e preocupações semelhantes.»

Quem são então os potenciais clientes da Hamlet? A resposta da empresa é: «Todos». Desde as empresas mais focadas em business-to-business, até mesmo àquelas cuja tónica é business-to-consumer. Exemplos? A Hamlet já tem como cliente a Snock, uma empresa alimentar que produz directamente para o consumidor.

Por que é que eles precisam da Hamlet? «É uma empresa que ainda não está na fase de comunicação de massas. Está antes na fase de conquista dos canais de distribuição.» E é para eles que a Hamlet os ajuda a comunicar.

Outro cliente que ilustra o âmbito de actuação da Hamlet é a Novabase. Esta tecnológica está a servir-se do know how publicitário de Eduardo e de Jayme para comunicar com o seu público interno. Jayme Kopke explica que a utilização de suportes de comunicação adequados pode ser muito útil à motivação de uma equipa de força de vendas, por exemplo.

Definir os alvos

Aquilo que os fundadores da Hamlet esperam transmitir aos seus clientes é um conceito de definição de prioridades e também de clarificação do público-alvo.

«Os clientes podem passar a encarar a sua forma de comunicar sob uma nova perspectiva e perceber, por exemplo, que o recurso a mass media é, muitas vezes, desproporcionado.»

Conhecendo a realidade do mercado, os dois sócios acreditam que os seus clientes serão as empresas médias com necessidades de comunicação muito específicas, mas também as empresas grandes que já são anunciantes. E vão mais longe: «Os grandes anunciantes esquecem-se muitas vezes de algumas áreas dentro da sua empresa que também comunicam com o exterior ou com o público interno. Elas também devem ter uma comunicação profissionalizada».

Se tudo correr como Eduardo e Jayme planeiam e se a Hamlet também provar do seu próprio remédio e souber comunicar com os clientes, deverá conseguir facturar 250 mil euros até ao final do ano.

Será que o mercado está desperto para a «publicidade» entre empresas? Ou, como explica Eduardo, para a importância da «teatralidade das relações empresariais» ? É isso que Hamlet vai descobrir e daí também o seu nome «teatral».

“Recorrer a mass media pode ser desproporcional face ao alvo, além de deixar de lado públicos importantes”

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